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ADÉLIA SAMPAIO: PRIMEIRA NEGRA A DIRIGIR UM LONGA FICCIONAL NO BRASIL

Adélia Sampaio foi a primeira mulher negra a dirigir um longa de ficção no Brasil, “Amor Maldito”, 1984. Uma história inspirada num caso real de um casal de duas mulheres que a cineasta acompanhou pelos jornais.

O filme foi realizado na forma de cooperativa, a equipe não recebeu salários. Mas as salas de cinema se recusaram a exibi-lo por tratar de um romance lésbico. A solução foi vendê-lo como pornochanchada. Havia algumas cenas sensuais e uma das protagonistas era conhecida por trabalhos do gênero.

Adélia Sampaio nasceu em 1944 em Belo Horizonte. Filha de empregada doméstica e de pai desconhecido. Realizou mais de 70 filmes como produtora e diretora.

Em 1968 começou a trabalhar como telefonista na Difilm, a principal distribuidora do Cinema Novo. Fez um curso de continuidade e passou a trabalhar como assistente de direção e continuísta.

Realizou seu primeiro filme como diretora de produção, “A Cartomante”, 1974. Na função, passou a exigir que toda a equipe recebessem o roteiro, algo bem incomum até hoje. Ela queria fomentar o desenvolvimento intelectual dos técnicos, majoritariamente negros, da periferia e que não haviam estudado cinema.

Abriu sua própria produtora, a A.F. Produções Artísticas, em 1978. Escreveu e dirigiu “Denúncia Vazia” (1979), inspirado na história de um casal de idosos que se suicidaram após serem despejados com base na lei Denúncia Vazia – permitia a retomada de um imóvel por seu locador após a data do fim de contrato.

Também escreveu e dirigiu “Adulto Não Brinca” (1981), sobre o filho de sua empregada e “Agora um Deus Dança em Mim” (1982), criado a partir de uma experiência vivida por sua sobrinha.

Em 1984 dirigiu o documentário “Na Poeira das Ruas” sobre a população de rua do Rio de Janeiro. Em 2001, co-dirigiu com Paulo Markun o documentário “AI-5 – O Dia que Não Existiu”.

Até o ano de 2013 ainda não era reconhecida como diretora de cinema. Todos os negativos dos seus filmes guardados no MAM-RJ haviam se perdido.

Somente depois da tese de doutorado sobre mulheres negras cineastas da pesquisadora Edileuza de Souza que a obra de Adélia veio a público, tornando-se oficialmente a primeira negra a dirigir um longa ficcional.

Texto do post de Ana Caroline Brito @poneyhandsup

@edileuzapenhadesouza @adeliasampaio1

Bibliografia:
AS TRAJETÓRIAS DE ADÉLIA SAMPAIO NA HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO
CLARISSA CÉ DE OLIVEIRA 2017
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